O pior dia do ano

O cão chupando manga. Azeda que nem jiló. De mal com a vida. Acordando com os dois pés esquerdos. Melancólica. Chata de galocha. É assim que eu me sinto, desde sempre, quando chega a véspera do meu aniversário.

Não tem muito a ver com a idade, pois lembro de ter tido crises assim na adolescência também. Como eu disse antes, isso acontece desde sempre. Mas hoje, em que me despeço dos 30 anos e estou quase chegando aos 31, parece que tudo foi potencializado.

Passei o dia inteiro, inteirinho, sendo a Bridget Jones. Todos aqueles questionamentos que a Bridget faz ao longo de um ano, em seu diário, eu fiz hoje. Foi uma overdose de pessimismo, humor negro, antecipação de coisas que nem sei se vão acontecer. Uma típica véspera de aniversário. Na minha cabeça, os diálogos internos mais ridículos se sucediam.

Na padaria, ao ver uma mãe com seu filho:

Eu: Ai, será que um dia eu vou ter um filho?
Eu2: Tu nem gostas de criança. Nem tem paciência!
Eu: Pois é. Mas... Poxa vida, por que eu também não posso ter um filho?
Eu2: Cachorros dão menos trabalho. E ter filhos com quem?
Eu: É...

Na rua, indo para casa:

Eu: Já sei! Eu quero ir embora daqui. Não quero mais morar na mesma cidade, ver as mesmas pessoas. Ó, tô andando aqui e nem tô reparando em nada. Já conheço até as pedras da calçada de cor!
Eu2: Mudar de cidade não vai adiantar. Tu vais ter que te levar junto, sabia?
Eu: Eu sei que o problema sou eu!
Eu2: Então, agora é hora de olhar para dentro.
Eu: Cansei de olhar para dentro. Quero sofrer em Paris! Ou em São Paulo! Em Salvador!
Eu2: Com que dinheiro?
Eu: Ok, você venceu.

No trabalho, num momento ocioso, quando eu ia jogar fora uma folha de papel rabiscada:

Eu: Como era mesmo aquela dobradura que eu fazia na quinta série?
Eu2: E eu é que sei?
Eu: Acho que era assim... Ih, não deu certo. Mas eu tinha certeza de que era assim! Viu só? Eu não tenho talento pra nada! Pra nada!
Eu2: E de que serve ter talento pra dobrar papel?
Eu: Será que devo aprender origami?
Eu2: Pra quê?
Eu: Sei lá. Eu podia fazer aqueles passarinhos, amarrados numa cordinha... Um móbile, sabe?
Eu2: Isso é brega!
Eu: Verdade. Mas se eu fizesse, não teria que comprar um.

No trabalho, ainda:

Eu: Acho que eu preciso é de um amor.
Eu2: Uma pessoa, agora, só ia atrapalhar.
Eu: Por quê?
Eu2: Porque não é o momento. Agora é hora de olhar para dentro.
Eu: É... Realmente, não estou com paciência...
Eu2: Eu sempre tenho razão. Vai cuidar dessa cabeça!
Eu: E se eu aprendesse a meditar? A esvaziar a minha mente? Assim, não teria que ouvir você!
Eu2: Sua mente não consegue se aquietar. Nem por um segundo.
Eu: Eu SEI! Mas se eu pudesse dar sumiço nesses pensamentos negativos... Nanael diria que tudo passa.
Eu2: Ele tem razão.
Eu: E não é?

E assim o dia passou. Tive outros diálogos internos, ainda piores, mas não ouso revelar. Eu2 resolveu me dar um pouco de sossego. Acho que até ela se cansou de mim. Opa!



Eu2: Voltei. Li o texto. Está razoável. Mas você não deveria ter feito a comparação com a Bridget Jones.
Eu: Por quê?
Eu2: Porque ela se envolveu com Daniel Cleaver e com o Mark Darcy. E você?
Eu: Hummmm... Pelo menos, eu não bebo!
Eu2: É, já é um começo.

Eu sou um gênio...

...porque encontrei a resposta de uma das questões filosóficas mais intrigantes de todos os tempos: 19 não é 20.

Depois de dias de reflexão, concluí que 19 se transforma em 20 durante o horário de verão, quando temos que adiantar o relógio em uma hora.

(Especialmente para a Meg. Ela deve ter entendido...)

A cara da dona

Dizem que os cachorros são semelhantes aos donos. Não sei até que ponto isso é verdade, porque “dizem” tantas coisas por aí... Minha cachorra Mel, que fez sete anos na semana passada, é parecida comigo em alguns aspectos.

Mel é e sempre foi magra: Ela come, come, come, COME e não engorda. Nunca vi criatura pensar tanto em comida. Eu também nunca engordei. Mas não sou comilona, sou muito enjoada para isso.

Mel não cresceu: É hobbit, igualzinha à dona! Awnnnn!

Mel é chata: Não preciso explicar muito...

Mel tem sete anos e ainda brinca: Se jogar The Sims for considerado brincar, eu também sou uma “velha” que brinca. Fora as minhas outras “retardatices”...

Mel prefere parceiros mais jovens: Ela é “namorada” do meu cachorro Ozzy, ainda que platonicamente. Ele só tem quatro anos, é uma criança. Eu não consigo me imaginar com um homem muito mais velho. Com mais novos, sim. Culpa das minhas “retardatices”.

Mel não gosta de chuva: Quando chove, ela fica dentro de casa. Se quer fazer xixi, vai para a rua, na ponta dos pés, morrendo de nojo de pisar na água. Chuva me deprime. Pena que não posso ficar em casa nos dias chuvosos... Alguém tem que comprar a comida da Mel...

Mel se mete onde não é chamada: Qualquer barulho na vizinhança, por mínimo que seja, Mel se põe a latir. Não chego ao extremo de me meter na vida dos vizinhos, mas adoro uma fofoca. Mesmo que seja sobre a Paris Hilton, que não é do meu círculo de amizades.

Mel rosna, quando é irritada: Eu também! Ok, não literalmente! Mas também não sou de levar (muitos) desaforos para casa. Gente folgada tem que conhecer o seu lugar!

Mel sabe fazer cara de desprezo: Aprendeu direitinho com a dona, uma antipática de marca maior.



Melzinha, Melzinha... Tão pequena, tão doce, tão amiga... Quero que você viva para sempre! Ou, pelo menos, mais uns sete anos.

Educando as novas gerações - II

Yuri: Eu sou irritante. Manda eu tomar no cu.

Luna: Não se manda ninguém tomar no cu.

Yuri: Por quê?

Luna: Porque a pessoa é capaz de gostar, aí sua ofensa vai por água abaixo.

Yuri: É mesmo...

Por que ele, Meg?

Minha amiga Rafa, mais conhecida como Meg, mora em Salvador. Nós nunca nos encontramos pessoalmente, só temos contato pela Internet. Ano passado, quando íamos nos conhecer, ela quebrou o pé antes de viajar. Estamos pensando nas próximas férias...

Com isso na cabeça, tive um sonho muito estranho...

Nele, nós viajamos e ficamos hospedadas numa pousada. Estávamos as duas na sala da pousada, falando com a dona. De repente, apareceu sabe quem? Lord Voldemort, em pessoa.

Ele chegou, tentou matar um monte de gente, mas não conseguiu. Verdade, ninguém morreu. O máximo que aconteceu foi uma correria na pensão. Sem graça! Já não fazem mais Lordes das Trevas como antigamente.

Eu e Meg ficamos paradas, olhando. A dona da pensão também. Terminado o espetáculo, Voldemort nos convidou para sair. Meg aceitou, encantada. Eu não queria, mas tinha que cuidar dela. Não ia deixar minha amiga sozinha com um doido. Fui junto.

Ele nos levou a um show. No carro da mãe da Meg, que apareceu não sei de onde. Voldie insistiu em dirigir, e não tivemos coragem de negar. Ele e Meg sentados na frente, e eu atrás, achando que aquilo não poderia acabar bem.



O show, como descobri depois, era do R.E.M. Chegamos quando eles estavam tocando “It’s the end of the world as we know it (and I feel fine)”. Achei condizente com o resto do sonho.

Lá pelas tantas, Voldemort se revoltou novamente. Insisti com a Meg para ir embora, mas ela estava se comportando como se estivesse num carnaval de rua. Ela dançando, Voldemort lançando raios nas pessoas, e eu preocupada.

Puxei a Meg pelo braço, saímos correndo, pegamos o carro e fomos... para o fórum! Na frente do fórum, Meg encasquetou que queria ver o rio, que não iria embora sem ver o rio.

Chegando no tal de rio, Voldemort apareceu novamente. Desta vez, ele estava transformado em outra pessoa, que tinha até nariz. Como um bom menino, nos levou de volta à pensão. Nada mais me lembro.

Moral da história?
a) Quando duas garotas saem para se divertir, sempre aparece um chato, para estragar tudo;
b) Segurar vela não é bom negócio. Ainda mais se o namorado (ou pretendente) da amiga for meio temperamental;
c) Todo o sapo dá um jeito de se transformar em príncipe, no final da história. Ainda que seja tarde demais;
d) Garotas, quando se encantam por um cara, não ouvem mais as amigas;
e) Mais vale quebrar o pé antes de viajar, do que marcar encontro com um cara sem nariz.

No momento...

... estou dando um tempo. Um longo tempo. Sem ler jornal, sem ligar a tevê. Perdi alguma coisa? O fim de “A Favorita”, que eu nem assisti mesmo, a posse do Obama, que nem me interessa, e milhares de notícias sobre a guerra na Palestina, que nunca foi novidade.

... estou sendo assombrada por fantasmas do passado. Está certo que a minha cidade não é tão grande assim, mas encontrar conhecidos de longa data, quase todos os dias, não tem a menor graça. Dou graças a Deus porque nem todo mundo pára para conversar. Acho simplesmente terrível responder à pergunta “O que você tem feito?”. Fantasmas do passado pertencem ao passado, e ele não volta. Que sigam seu caminho.

... estou me perguntando onde está o verão. Tem feito muito frio, tem chovido muito, para essa época do ano. Não é aquele frio de inverno, mas cadê o calorão? Aquele que te impede de dormir à noite, aquele que te faz morrer de sede e comprar um picolé? Será que começa em junho?

... estou lendo bastante. O ano mal começou e já li três livros. Dizem que tem gente que lê três livros em um ano. É, até que estou bem. Hoje começo mais um; ainda não decidi qual.

... estou viciada numa música, para variar. Meus vícios musicais são bem estranhos. Como consegui me viciar nisso?

... estou no MSN com mais um fantasma do passado. O que me leva a concluir que eles me perseguem. O engraçado é que, quando o fantasma ficou online, pensei que há tempos não nos falávamos e que isso era uma pena. Minutos depois, a criatura falou comigo e me disse exatamente o que eu pensei. Medo.

... estou pondo em prática meu verbo preferido: procrastinar. Daqui a pouco eu dou comida para os cachorros, mais tarde vou pedir uma pizza e semana que vem eu faço hidratação nos cabelos. Se Scarlett O’Hara pode deixar tudo para resolver amanhã, eu também posso.

Dez coisas para fazer enquanto se espera um ônibus

Esperar ônibus é um saco, principalmente por que, no Brasil, as pessoas desconhecem o que é horário. Cadê o ônibus das 18h10? Ah, hoje ele passou aqui às 18h06. Perdi. Pode parecer bobagem, mas esses poucos minutos fazem diferença. Eu me preparo para estar na parada às 18h10. Sou pontual, mas o motorista pensa diferente. Vai ver, ele quer chegar mais cedo em casa...

E o que fazer, enquanto espero pelo próximo ônibus? Esperar é um saco, como eu disse antes. Mas desenvolvi algumas técnicas que me ajudam a não morrer de tédio, nem de raiva.

1-Ouvir música: É bom, porque assim nenhum impertinente se atreve a puxar assunto. Odeio conversar com estranhos. Não estou interessada na quantidade de roupas que não secaram porque está chovendo. Não quero comentar o tempo. Não vejo nenhuma novela. Deixem-me a sós com meus pensamentos!

2-Ler um livro: Seria excelente, não fosse por um problema: não consigo me concentrar. Não que eu precise de silêncio absoluto para ler, mas é que eu fico toda hora levantando os olhos do livro, para ver quais ônibus estão passando. Mesmo sabendo que o meu ainda vai demorar...

3-Ouvir as conversas dos outros: Adoro! O problema é que às vezes não aparece nada de interessante. Ouvir papo sobre as roupas que não secaram é ainda pior do que participar da conversa. Não é todo dia que aparece alguém comentando a separação da Jucineide ou sobre o filho da Marilúcia, que está tendo problemas com a polícia.

4-Escolher uma pessoa e tentar adivinhar que ônibus ela vai pegar: Vila Nova? Boa Saúde? Cohaburgo? Rincão? Onde será que essa criatura mora? Quase nunca acerto. O interessante é quando a pessoa acaba entrando no mesmo ônibus que eu, e eu nunca a vi mais gorda.

5-Julgar as pessoas: Essa técnica é legal, porque a cada dia posso escolher uma categoria. Música, por exemplo. Esse aí é pagodeiro, aquela lá só escuta o que está na moda, aquele outro deve gostar de música de bailão... Já imaginei quantos parceiros sexuais uma pessoa já teve, ou quanto ela ganha, ou onde trabalha, ou em quem votou, ou que nome ela deve ter. É divertido.

6-Botar reparo nas roupas: Nem entendo nada de moda e não sou muito chegada no assunto. Mas gosto de observar o que as pessoas estão vestindo. Principalmente as mulheres, porque homem se veste sempre igual. Aí tem a tiazinha que roubou o vestido da filha, a mocinha que tem a coragem de mostrar pernas dominadas pela celulite, aquela que pensa que está na praia, gente de botas num calor infernal, gente com combinações de cores nada a ver... E aquelas mulheres que ficam lindas só com um vestidinho e uma sandalinha. Para estas, dou o troféu Audrey Hepburn.

7- Olhar para os pés dos outros: Adoro sapatos! Muito mais do que roupas. Mas olho para os pés das pessoas só para implicar. Quero saber quem faz o pé e quem é desleixada. Felizmente, a maioria das mulheres é ajeitada. São poucas as que andam por aí com unhas cortadas de qualquer jeito, com cutículas gritando e com calcanhares cascudos ou rachados. Para estas, tenho vontade de dar um vale-pedicure. Ou uma multa. Existem salões de todos os preços, em qualquer biboca. Existem primas, tias, irmãs que sabem fazer pedicure. Não tem desculpa para o desleixo. Reparando em pés, vejo que poucas ousam na cor do esmalte. A maioria oscila entre os clarinhos e os vermelhos (que as tiazinhas adoram!).

8-Observar mães e filhos: Fico impressionada com a quantidade de mulheres que deixam as crianças pequenas soltas na parada. Ou com aquelas que vêem os filhos jogando lixo no chão e não os xingam. Ou com aquelas que entopem as crias de refrigerante, salgadinhos e balas. Ou com aquelas que levam tapas e não fazem nada. É altamente estressante!

9-Ficar lembrando de coisas e rindo sozinha: Pode ser qualquer coisa: o último janelão do MSN, as frases mais legais de Seinfeld, alguma coisa acontecida na oitava série. Se for engraçado, vale a pena recordar. E rir sozinha não é coisa de louco, é coisa de quem tem uma imaginação que funciona bem.

10- Ter idéias para textos: Pensando em tanta bobagem, às vezes surge alguma idéia que pode ser aproveitada. O problema é lembrar de tudo depois...